Software sob medidaComprar sistema pronto ou desenvolver sob medida: como decidir
Os critérios objetivos que resolvem essa escolha, a conta de custo total em três anos e por que adaptar o processo costuma sair mais barato que adaptar o software.
É uma decisão que costuma ser tomada por gosto, "quero algo do nosso jeito", quando deveria ser tomada por conta. E a conta quase sempre aponta na mesma direção.
A pergunta que resolve 80% dos casos
Esse processo é o seu diferencial competitivo?
Se a resposta é não, e para folha de pagamento, emissão de nota, controle de estoque padrão e CRM comum a resposta é não, compre. Você não ganha mercado por ter um sistema de nota fiscal próprio.
Se a resposta é sim, e o jeito como você opera é justamente o que faz o cliente escolher você, aí construir pode valer.
A maioria das empresas superestima quanto do seu processo é único. Costuma ser bem menos do que parece.
A conta de três anos
Comparar mensalidade com valor de projeto engana. O certo é somar tudo, num horizonte de três anos.
Sistema pronto, 8 usuários a R$ 120/mês:
| Item | 3 anos |
|---|---|
| Licenças | R$ 34.560 |
| Implantação e treinamento | R$ 8.000 |
| Customizações | R$ 6.000 |
| Total | R$ 48.560 |
Sob medida, escopo equivalente:
| Item | 3 anos |
|---|---|
| Desenvolvimento | R$ 90.000 |
| Infraestrutura (R$ 400/mês) | R$ 14.400 |
| Manutenção (18% ao ano) | R$ 48.600 |
| Evolução | R$ 20.000 |
| Total | R$ 173.000 |
Mais de três vezes. E o sob medida ainda carrega o risco de atraso e o custo de você virar responsável pela continuidade.
Quando construir compensa mesmo assim
Quando não existe nada adequado. Setores muito específicos às vezes não têm software decente. Aí não é escolha.
Quando a licença fica cara demais em escala. R$ 120 por usuário com 8 pessoas é barato. Com 150, são R$ 216 mil por ano, e a conta inverte.
Quando o processo é o produto. Se você vende justamente a forma como faz, o software é o ativo.
Quando a integração é inviável. Se o pronto não conversa com o que você já tem e a operação manual no meio anula o ganho.
Quando o dado é sensível demais. Alguns setores têm restrição que o sistema pronto não atende.
O caminho do meio que a maioria ignora
Comprar e integrar.
Três ferramentas prontas conectadas entre si resolvem a maior parte dos casos por uma fração do custo de construir. O trabalho de integração é bem menor que o de desenvolvimento, e você herda a evolução de três produtos maduros.
É a opção que quase ninguém considera porque não é nem "comprei" nem "fizemos", mas costuma ser a de melhor relação entre custo e resultado.
O erro caro dos dois lados
Do lado de comprar: exigir que o sistema replique exatamente o processo atual. Software pronto embute boas práticas de milhares de empresas. Se o seu processo diverge muito, vale perguntar se ele é melhor ou apenas antigo. Adaptar o processo costuma custar menos que customizar o sistema, e às vezes melhora a operação.
Do lado de construir: achar que termina no lançamento. Não termina. Se sua empresa não tem quem cuide de software, você acabou de criar uma dependência permanente de fornecedor.
Um roteiro em quatro perguntas
- Existe pronto que resolve 70% ou mais? Se sim, o caminho provável é comprar.
- Os 30% restantes são essenciais ou é costume? Boa parte costuma ser costume.
- Some o custo de três anos dos dois cenários. Inclua manutenção no sob medida.
- Quem cuida disso daqui a dois anos? Se não houver resposta, comprar é mais seguro.
Nossa posição
A gente desenvolve software sob medida, e recomenda comprar com frequência. Já aconteceu de a resposta certa ser três assinaturas integradas em vez do projeto que o cliente veio pedir.
Construir sistema que não deveria existir é caro pro cliente e ruim pra relação, porque o arrependimento chega no ano seguinte.
Se quiser fazer essa análise no seu caso, fale com a gente.